Ao serviço da família

Nasceu na década de 60 do século passado. Adaptou-se aos tempos mas manteve o carisma. A Obra de Santa Zita de Elvas acolhe cerca de 200 crianças nas valências  de creche, jardim de infância e ATL. O apoio à família e a educação para os valores são  a chave de uma casa conhecida e reconhecida na cidade. A alma do sucesso reside nas Cooperadoras da Família.

Foi fundada por Monsenhor Alves Brás na primeira metade dos anos 60 do século XX e desde então tem estado a cargo das Cooperadoras da Família e tem desempenhado um importante papel de apoio à comunidade local. Há semelhança de outras casas fundadas por este sacerdote, da Diocese da Guarda, também a Obra de Santa Zita (OSZ) de Elvas se preocupou com a formação da mulher. Mas, se em muitas cidades ela começou por apoiar e formar as jovens raparigas que se deslocavam das zonas rurais para trabalhar em casas abastadas, em Elvas a OSZ começou por formar jovens raparigas a pedido de muitas mães que queriam que as suas filhas aprendessem a cuidar da casa. “Aqui não havia muitas empregadas domésticas, elas iam mais para Lisboa”, conta Alcinda Teixeira, Diretora da OSZ de Elvas. “Eram as mães que trabalhavam nas campanhas sazonais de apanha do tomate, da azeitona e do centeio que nos pediam que formássemos as suas filhas adolescentes que tinham 12 ou 13 anos”, explica esta Cooperadora da Família. Nesta casa aprendiam corte e costura, bordados, culinária e tinham formação em todo o trabalho de servir.  Para o Padre Alves Brás, as Cooperadoras da Família ao receberem estas raparigas estavam a ajudar a famílias em várias frentes: a família institucional, a família dos patrões, quando fossem trabalhar para casa de alguém, e a sua própria família, quando casassem.

Esta realidade das jovens formadas nas “lides do lar” foi-se transformando à mediada que o  ensino e a  formação se foram democratizando.  A sociedade mudou e nos anos 80 do passado século muitas mães começaram a trabalhar todo o dia fora de casa e não tinham ninguém  a quem deixar os filhos.  Bateram à porta das Cooperadoras da Família e depressa  a Obra de Santa Zita de Elvas se encheu de crianças enquanto os pais iam trabalhar. 

Da formação de jovens adolescentes à formação de crianças
Foi esta casa, cheia de vida, que o Jornal da Família visitou.  189 crianças divididas pelas valências de creche, jardim de infância e ATL. Os tempos mudaram, as problemáticas sociais também mas o carisma continua a ser o mesmo: apoiar e ajudar a cuidar da família. 

Desde tenra idade as crianças são aqui formadas nos valores cristãos. Valores cristãos que, no fundo, são valores humanos: o respeito pelo outro, a amizade, a entreajuda...  Temáticas que são abordadas nas atividades de cada sala e que ganham relevo nos momentos festivos desta casa: o Natal, a Páscoa, a festa do Dia do Pai, do Dia Mãe ou do Dia do Fundador das Cooperadoras da Família e da Obra de Santa Zita.

O vestir da camisola
Um trabalho realizado pelas Cooperadoras e pelo corpo de colaboradoras. Ao todo, a OSZ de Elvas conta com uma equipa de 21 elementos onde se destacam várias Educadores e Auxiliares de educação a trabalhar nesta casa há várias décadas.

Ana Paula Caiolas é uma delas. É Educadora de Infância na OSZ há 24 anos. Já passaram por ela, muitos meninos, muitas gerações, muitas famílias.  Reconhece que já foi mais fácil educar. “Hoje as crianças são mais irreverentes, mais ousadas  e nós temos de ter estratégias para as levar a bom porto”. Ana Paula acrescenta que a educação também depende muito de casa, do que os pais ensinam e transmitem. “Se os pais e os educadores da escola estiverem em sintonia na transmissão de valores isso é benéfico para a edução da criança”. Quanto aos valores que ali são transmitidos, admite que são os valores nos quais também ela foi educada: os valores cristãos. Por isso “veste a camisola” e tenta ser testemunho desses valores que considera serem “universais”.

Há várias famílias
Ao longo dos últimos anos, Alcinda Teixeira, considera que houve uma grande mudança nas famílias que a OSZ serve. Há muitas mães que vivem sós, outras que vivem com um companheiro mas em situações instáveis, há muitos pais divorciados, há famílias que têm filhos de várias relações. “Estas situações, refletem-se na personalidade da criança. É mais difícil educar, transmitir valores morais e religiosos”, conta Alcinda Teixeira. Mas  a OSZ existe para acolher todos e para fazer de cada um criança um ser único formado, a cima de tudo, nos valores do humanismo.

A grande maioria das crianças chega de famílias da classe média/baixa. “Só três a quatro por cento dos meninos é que provêm de famílias de  uma classe média/alta”, explica a diretora da OSZ.  É nesta medida que esta instituição se torna, também, um importante apoio para as famílias desta comunidade. As pequenas mensalidades pagas são uma ajuda para agregados familiares com poucos recursos financeiros.  

Instituição conhecida e reconhecida
No dia da reportagem do Jornal da Família, os meninos e meninas da OSZ recebiam a visita do Vereador do município local. Vinha trazer as prendas que, por altura do Natal, a Câmara Municipal de Elvas oferece a todas as crianças do ensino Pré-escolar e 1º Ciclo.  Tiago Afonso destacou o trabalho desenvolvido por esta casa ao longo de várias décadas na cidade de Elvas. “Toda a gente sabe quem são as Zitas e onde estão as Zitas. É uma instituição muito conhecida e reconhecida aqui na cidade e é uma  casa que tem dado muita qualidade de vida às nossas crianças” , afirmou o Vereador Tiago Afonso.

A educação começa na família
Francisco Gilsa é o testemunho do apoio desta casa à família. Primeiro passou por cá o filho Francisco e agora anda por cá o filho Bernardo.  O contacto com a OSZ remonta há década de 90, do século passado, quando a esposa aqui ficou a residir enquanto estudava. “Tenho as melhores referências desta  instituição. Uma casa com cabeça, tronco e membros onde há disciplina e rotinas diárias”, afirma o pai Francisco.  Um trabalho que só se consegue desempenhar bem se houver vocação “Quem trabalha com crianças tem de ter vocação para isso” e neste aspeto Francisco destaca o papel de coordenação realizado pela  diretora da casa, a Cooperadora da Família Alcinda Teixeira.

“Nós podemos gostar mais ou menos  da igreja, ser mais ou menos praticantes, mas nos dias de hoje há tanto barulho de fundo, tanta confusão... que estas instituições fazem cada vez mais sentido” . Para o pai Francisco estas casas “são como oásis “.

Mas confiar o filho/a a uma casa destas não demite os pais do seu papel de educação. “O papel dos pais em casa é importantíssimo. Não é por colocarmos os nossos filhos numa instituição católica que devemos deixar por conta dos outros a edução dos nossos filhos”. Educado no rigor de uma escola militar, Francisco acredita que “todas as instituições que podem trazer alguma coerência e alguma ordem à vida das crianças” são cada vez mais necessárias e esse trabalho deve começar “quando mais cedo melhor”.

No sentido de continuar a prestar um serviço às crianças e às famílias da cidade de Elvas, as instalações da Obra de Santa Zita, vão entrar em obras. Adaptar e modernizar espaços é o objetivo para continuar a servir mais e melhor as familias da cidade de Elvas.

Jornal da Família - edição janeiro de 2018