«Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação»

Em agosto de 2015, o Papa Francisco instituiu na Igreja Católica o “Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação”, que se vem realizando anualmente em 1 de setembro, iniciativa com sentido ecuménico porque, a mesma data, é comemorada pela Igreja Ortodoxa.

Com esta iniciativa, o Papa oferece-nos um momento importante para renovar a nossa participação na vocação pessoal de cuidadores da criação, elevando a Deus o nosso agradecimento pelas obras maravilhosas que Ele confiou aos nossos cuidados, pedindo ajuda ao Deus Criador para a proteção da criação e a sua misericórdia diante dos pecados sociais cometidos contra o mundo em que vivemos.

A preciosa Encíclica ecológica do Papa Francisco “Laudato si” recorda que a terra “se pode comparar ora a uma irmã, com quem partilhamos a existência, ora a uma mãe, que nos acolhe nos seus braços”. Mas sabemos que a terra está a ser maltratada e saqueada e os seus gemidos unem-se aos clamores de todos os abandonados do mundo. Com esta Encíclica, o Papa convida-nos a ouvir esses gemidos e clamores, exortando a todos a uma “conversão ecológica”, a “mudar de rumo”, assumindo a responsabilidade de um compromisso para o “cuidado da casa comum”. E, consequentemente, o cuidado com a criação.

Enfrentamos atualmente muitos desafios, como as mudanças climáticas, a questão da água, a crise ecológica e as mudanças nos estilos de vida. Por isso, o Papa convoca-nos para uma ecologia integral como um novo modo de justiça, ou seja, uma ecologia “que integre o lugar específico que o ser humano ocupa neste mundo e as suas relações com a realidade que o circunda”. A crise ecológica é um apelo para uma profunda conversão interior.

Deste modo, com simplicidade, podem ser realizadas pequenas iniciativas sobre educação ambiental; como a valorização e o cuidado com a água; como fazer a reciclagem do que é considerado lixo; evitar o desperdício da alimentação; o plantio de árvores e tantas outras atividades que podem tornar-se verdadeiras e eficientes campanhas. Cabe, de modo primordial, aos pais e educadores, multiplicar iniciativas de reflexão e partilha no sentido da consciencialização de que a natureza antes de mais, é um presente que recebemos do Criador, e como todo o “dom” traz em si uma tarefa: é necessário preservar a obra de Deus. O problema é que só nos lembramos disso quando algo de errado acontece. Por exemplo, quando nos deparamos com a seca em algumas regiões é que pensamos em ter mais cuidado com o uso da água.

Por outro lado, precisamos de tomar consciência de que o planeta nos pertence, assumindo atitudes de verdadeiros guardiões diante dos seus recursos que muitas vezes se revelam escassos…

O Papa Francisco, falando da Criação do mundo durante uma das suas celebrações, afirmou que preservar a criação e ter zelo pela natureza é tarefa dos cristãos e não somente dos ecologistas: “Quando ouvimos falar que as pessoas se reúnem para pensar em como proteger a Criação, podemos dizer: `Mas são ecologistas?` Não, não são ecologistas! Isso é ser Cristão! Um cristão que não preserva a Criação, que não a faz crescer, é um cristão que não se importa com o trabalho de Deus, aquele trabalho que nasceu do Seu amor por nós”.

Portanto, defender a natureza e agir com responsabilidade na preservação dos seus recursos vai além do papel dos ecologistas. Também é missão da Igreja e dever de todos nós… Não podemos esquecer que, para vivermos bem, é preciso que a natureza também viva, e cuidar dos recursos que ela oferece é uma forma de agradecermos a Deus, que pensou em cada um de nós e nos deu de presente toda a criação.

Quando o Papa em 2015 instituiu o Dia Mundial da Oração e Cuidado da Criação, ano do lançamento da Encíclica Laudato Sí, o Santo Padre explicou o porquê deste dia: “Para oferecer a cada fiel e às comunidades, a preciosa oportunidade de renovar a adesão pessoal à sua vocação de guardiões da criação, elevando a Deus o agradecimento pela obra maravi lhosa que Ele confiou ao nosso cuidado, invocando a sua ajuda para a proteção da criação e a sua misericórdia pelos pecados cometidos contra o mundo em que vivemos.

Nova obra de misericórdia: Ao concluir a mensagem, numa ótica global da vida humana que inclui o cuidado da Casa Comum, o Papa Francisco diz: ” Tomo a liberdade de propor um complemento aos dois elencos de sete obras de misericórdia, acrescentando a cada um o cuidado da Casa Comum”.

E explica: “Como obra de misericórdia espiritual, o cuidado da Casa Comum requer `a grata contemplação do mundo`, que nos permite descobrir qualquer ensinamento que Deus nos quer transmitir por meio de cada coisa`. Como obra de misericórdia corporal, o cuidado da Casa Comum requer aqueles ` simples gestos quotidianos, pelos quais quebramos a lógica da violência, da exploração, do egoísmo ` e se manifesta o amor `em todas as ações que  procuram construir um mundo melhor”!...

Texto: Maria Helena Marques - Prof.ª Ensino Secundário
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